| 07/07/10 |
Velocidade x Pressa |
Diz o “sábio” ditado popular – e nada mais sábio do que algo popular – que, “quem tem pressa come cru”. É uma verdade daquelas absolutas.
Por outro lado, “quem espera sempre cansa”. O que fazer então? Bem, minha experiência me ensinou que se ficarmos parados muito tempo pensando nas atitudes que devemos tomar, a vida passa por cima, nos atropela e aí, quando dermos conta, é tarde demais.
Em meu trabalho como Coach, não é raro as pessoas que me procuram falarem que têm pressa para a realização de suas metas. Na verdade, vejo muita gente insatisfeita com suas realizações acreditando erradamente que essas realizações sequer existem. Isso é um engano monstruoso.
No mundo de hoje ter velocidade é essencial para se dar bem. Entenda-se por “se dar bem” algo como realizar seus objetivos e não aquela idiotice de... levar vantagem em tudo.
As informações nos chegam na velocidade da luz, as decisões não podem esperar e veja aí no seu mundo, quantas vezes você teve que tomar atitudes rapidamente, pensar e agir num pequeno espaço de tempo, delegar, cumprir metas, enfim, uma infinidade de coisas que teve que fazer em nome da velocidade ou pressa.
Aí eu te pergunto: Você age assim quando a decisão é para algo seu, somente seu? Não minta para mim, sobretudo, não minta para si mesmo(a).
Mesmo sem te conhecer, eu afirmo sem medo de errar que na maioria das vezes você deixou de lado alguma decisão que só diz respeito a você mesmo(a). Por que? Ah, porque sua mente te diz... calma, isso pode esperar.
Bem, indo contra sua mente te falo: Não, não pode esperar não.
Sua vida, suas metas pessoais, seus desejos são muito mais importantes do que qualquer outra coisa. E eu sei que você faz muito, muito mais coisas pelos outros do que por si. E eu te pergunto mais uma vez: A recíproca é verdadeira?
Bem, sejamos honestos, sabemos a resposta, mas nem vamos falar isso aqui porque não precisamos ficar com raiva, não é verdade?
O importante dessa diferenciação entre pressa e velocidade é que a pressa normalmente vem acompanhada de uma atitude impulsiva e a velocidade, por mais “rápida” que possa parecer, vem acompanhada de uma estruturação que começa lá na raiz, lá no primeiro momento em que questão é apresentada, seja por alguém, seja por você.
Dia desses uma pessoa me fez uma consulta para Coaching e a primeira coisa que ela me disse foi que tinha pressa. Perguntei se ela sabia a diferença entre pressa e velocidade e ela me disse textualmente que “são a mesma coisa”. Fomos para nossa reunião inicial e lá ouvi atentamente sua necessidade. Ao final da reunião, estava claro que a pessoa tinha pressa justamente porque não sabia a diferença, portanto, em sua visão a pressa eliminaria etapas.
Bem, adianto que para se atingir qualquer objetivo nessa vida, até para se encontrar determinados atalhos será preciso ter cautela para não se perder ainda mais, afinal, em linha reta pode se chegar a Manaus bem mais rápido do que pelas vias existentes, mas o preço a pagar será se embrenhar na mata fechada onde a chance de se perder será bem maior, para não dizer... fatal.
MM |
| 06/05/10 |
Não odeie mudanças |
Lá naquele site onde as pessoas fazem perguntas umas à outras, o Formspring.me, apareceu uma pergunta interessante:
- Como ajudar uma pessoa que odeia mudanças?
Será que existe mesmo alguém que odeie mudanças? Ou será que o que existe é gente que tem medo delas?
Pois é, parece, mas não é a mesma coisa. Odiar é repugnar, portanto, evitar a qualquer custo que uma mudança ocorra. Ter medo é, digamos, falta de coragem momentânea. Por que momentânea? Porque, como é impossível evitar que as mudanças ocorram, o medo é apenas um sentimento temporário.
Como disse, é impossível impedir ou fugir das mudanças. Se fosse possível, todo mundo estaria fazendo as mesmas coisas desde sempre. Sejamos honestos, isso não existe. Acho que a pergunta foi mais no sentido de tentar ajudar quem tem medo de mudar e não a quem odeia.
Odiar a gente odeia coisas ruins, mudanças ruins ou para pior. Ninguém quer mudar para piorar uma situação, certo? Mas o medo aparece justamente aí nesse miolo, como saber se uma mudança será efetivamente para melhorar uma situação desgastada?
Não dá para saber, infelizmente. A vida é assim mesmo, corremos riscos a cada instante e, sem poder prever o futuro, temos que tentar antever todas as possibilidades para que a escolha seja a melhor possível.
Mudança é vista por aí como uma palavra negativa e, sinceramente, eu não entendo o porquê disso. Talvez seja trauma de mudanças anteriores, mas ainda assim, não sei mesmo afirmar por que é que essa palavra tem uma carga negativa para a maioria das pessoas.
Eu entendo que a palavra mudança, justamente por saber que jamais iria querer uma mudança para algo pior, é sim uma palavra positiva. Dia desses eu escrevia em meu novo livro sobre esse tema e lá eu falei exatamente isso, mudança é uma palavra positiva, diria até que provoca – ou deveria – uma sensação de otimismo.
Odiar a mudança é descabido. Medo até podemos ter, mas lembrando que o medo deve ser usado apenas para nos colocar certos limites, jamais para imobilizar uma ação. Medo é até bom e deve ser um aliado importante, mas francamente, medo de mudar o que não vai bem é o mesmo que aceitar o que está ruim.
Em meu trabalho eu aconselho as pessoas a fazerem um exercício, tento fazer com que elas resgatem as experiências anteriores em todos os sentidos e um dos mais importantes é justamente esse resgate das mudanças que já foram feitas na vida delas.
Além disso, insisto que todos devem fazer uso da intuição. Muita gente nem a ouve e, portanto, afirmam categoricamente que nem a tem. Mas tem sim, todo mundo tem e deve usar mais a intuição. Aquela voz interior que nos alerta quando estamos diante do novo deve ser ouvida, interpretada e levada em consideração.
Para algumas pessoas é o novo que assusta, o medo do desconhecido. Eu tenho uma posição diferente, tenho medo do conhecido e não do desconhecido. Mas isso é o mesmo que levar uma vida correndo riscos, não é todo mundo que consegue. Nem estou dizendo aqui que deve ser feito ou que é o certo, etc. Nada disso, estou apenas expondo o que eu faço e acredito.
Nem sempre eu levo em conta que não devo temer o desconhecido, não sejamos radicais, mas em muitas circunstâncias eu sigo à risca essa minha teoria. O que conheço é o que pode me atingir, o que não conheço não pode até que eu descubra. Papo meio filosófico, mas é assim que eu tento levar a vida.
Para quem tem medo de mudanças eu digo que se todo mundo tivesse esse medo ou agisse de forma parecida, o mundo jamais teria evoluído. Estaríamos em nossos primeiro empregos e todos casados com os primeiros namorados. Já escrevi isso centenas de vezes, mas não custa nada lembrar.
Mudanças são absolutamente necessárias, até porque, pensemos o seguinte: Se uma pessoa está levando em consideração a necessidade de uma mudança em sua vida é porque em algum momento ela se viu no meio de uma situação desconfortável, não é mesmo? Assim sendo, que mude, levando em conta os riscos, tentando enxergar tudo o que aquela mudança vai proporcionar.
Não existe “risco calculado”, mas é preciso tentar antecipar as conseqüências daquela mudança. Da mesma forma que não existe esse risco calculado, não deve existir se jogar de cabeça em algo sem pensar antes – e em tudo – de dar o próximo passo. Provavelmente é o que aconteceu na mudança anterior, naquelas todas mudanças que a pessoa já fez em sua vida.
É só uma questão de repetir a fórmula. Se deu certo, faça igual. Se não deu certo, faça diferente dessa vez. Mas faça!
MM |
| 13/04/10 |
Zona de Conforto |
Converso com as pessoas, amigos, clientes e o tema basicamente recai sempre no mesmo dilema: Por que a maioria das coisas não dá certo?
A resposta é relativamente simples, apesar de perturbadora: Porque fazemos sempre as mesmas coisas, cometemos os mesmos erros, fazemos as mesmas escolhas.
Ora vejam, se as coisas não dão certo, por que é que insistimos em fazer tudo igual? Por causa de uma coisa traumática chamada mudança. Temos medo de mudar, de ousar, de fazer algo diferente, enfim, medo de arriscar o novo.
Em nossas vidas estamos o tempo todo buscando a tal “Zona de Conforto”. Auto-explicativo esse nome, conforto em todos os sentidos da vida é mesmo o objetivo a ser atingido, mas – sempre tem um “mas” – será que esse é o melhor caminho de verdade?
Minha visão é um tanto quanto antagônica nesse assunto. Conforto de fato conforta, porém, ajuda a crescer? Óbvio que não, o que nos ajuda é sempre o desconforto porque assim temos que nos mover para buscar o conforto.
O problema que eu vejo é que a Zona de Conforto tem prazo de validade, uma coisa que te conforta hoje não necessariamente vai te confortar amanhã, aí é preciso sair dela e buscar uma outra.
O motivo é simples: Uma coisa que deu certo hoje – criando uma zona de conforto – pode não dar certo novamente, mesmo que usemos as mesmas ferramentas. O mundo anda dinâmico demais e é necessária uma adaptação quase que diária.
Quando em conversas com as pessoas eu escuto que “as coisas não vão bem”, sempre pergunto se não está na hora de mudar o foco e as atitudes, sair da zona de conforto que já não mais conforta.
Vejam como somos loucos... Acreditamos que uma vez que algo tenha dado certo, devemos repetir a fórmula para um novo projeto. Claro que às vezes isso cabe, mas quando não cabe, insistimos até não poder mais para depois reclamarmos que a vida não está funcionando.
É como se todos nós estivéssemos com o piloto automático ligado reclamando de que o avião está sob forte efeito da turbulência. Ora, não é mais fácil desligar esse botão, assumir o manche e mudar alguma coisa? Mais fácil é sim, mas como sempre digo, na prática a teoria é outra.
Muitas vezes não temos a coragem necessária para arriscar uma mudança de rumo. A suposta zona de conforto nos contamina e invariavelmente respondemos a nós mesmos com aquela frase mega conformista: Melhor o certo do que o incerto.
Pois eu digo, não é! Isso é uma armadilha, até porque temos que perceber que o certo não é mais tão certo como era ontem.
Sair da zona de conforto provoca crescimento, provoca questionamentos que são super necessários para eliminar o conformismo. Reclamar de algo tem que ter outro efeito além da lamentação, tem que provocar a mudança.
Não usar a reclamação como um sinal de alerta é se entregar ao fato de que os próximos resultados serão insatisfatórios.
Uma querida cliente minha, quando me contratou para iniciarmos um processo de Coaching, me abordou da seguinte maneira: Marcelo, eu estou com a vida relativamente acertada, mas quero mais, quero sair da Zona de Conforto.
Percebem? Ela quer mais, ela quer sair do automático e buscar novos rumos, ela quer se provocar, se instigar, em outras palavras, ela quer crescer.
MM |
| 11/03/10 |
Três perguntas |
Diante dos dilemas da vida deveríamos nos fazer três perguntas, na verdade, as mais importantes no que diz respeito a quase tudo: O que fazer? Por que fazer? Como fazer?
São essas as perguntas que eu peço para meus clientes fazerem lá na frente do Espelho. Como eles normalmente chegam a mim com certa angústia, entendo que essa é a melhor forma para poderem seguir seus caminhos.
O que fazer é o mesmo que tentar descobrir o que realmente se quer. Parece uma pergunta simples, mas não é. Recentemente ouvi de duas pessoas que era um absurdo eu perguntar uma coisa dessas a elas, uma chegou até a me devolver a seguinte pergunta:
- E eu lá sei o que eu quero? É por isso que estou querendo te contratar...
Bem, eu não posso responder uma coisa dessas, parece óbvio. O que posso fazer é ajudar a encontrar o que eles realmente querem. Quando o problema é pontual, uma situação específica fica bem mais fácil encontrar uma resposta e a direção que se deve seguir. Mas e quando o problema é mais complexo, tipo... tirar uma pessoa do marasmo, da zona de conforto que não mais conforta?
Aí a pergunta “o que fazer” é bem mais complicada. Mas há solução para tudo, desde que haja empenho e comprometimento com a própria vida. O que vejo muito é gente que não está nem aí para as suas próprias coisas, seus desejos, sonhos e afins. É bem triste.
Essa é a pior das questões, a mais difícil de responder. Partindo dela passamos para a outra, por que fazer? É muito importante ter as coisas bem claras e se perguntar por que é o que vai te dar clareza, uma visão real do que você escolheu fazer. Perguntar isso é um exercício interessante porque é quase que um complemento da primeira questão. Quando respondemos a ela, a primeira resposta meio que fica ratificada. Você sabe o que quer e por que quer.
Passada essas duas etapas, partimos para a execução, o grande desafio da humanidade, a coisa mais importante de tudo: O “como”.
Muitas vezes diante dos desafios da vida a gente até sabe o que quer, por que quer, sabemos até mesmo o que é melhor para nós, mas esbarramos no “como” é que chegamos lá.
Claro que num simples texto não posso dar a solução, existe uma infinidade de variáveis que devem ser consideradas, tipo... como é a pessoa, a que velocidade ela anda, os significados que ela dá às coisas, enfim, é preciso fazer uma analise completa, inclusive sobre como é que ela lidou com outros grandes desafios no passado.
A idéia é analisar profundamente a questão e tentar encontrar o melhor caminho para a pessoa que está diante do desafio. Não existe uma fórmula pronta que sirva a todo mundo. Acho que a graça da vida está justamente aí, é preciso descobrir como é que cada um lida com sua própria vida. O que estou querendo dizer é que cada um encara um problema de um modo e por conseqüência, sai dele à sua maneira.
Eu costumo tentar descobrir a pior questão, dilema, dúvida, ou seja lá o que for que o cliente já tenha vivenciado e entender junto com ele se a saída que ele encontrou para o tal problema foi de fato a melhor. Apesar dos problemas serem distintos, normalmente a maneira com que os solucionamos são parecidas.
Basicamente é isso, devemos, diante de qualquer circunstância e não só quando estamos frente a frente com um problema, nos fazer essas três perguntas, porque se você parar para pensar, perceberá que muitas vezes fez as coisas que não eram as melhores para determinada questão.
É o que chamamos popularmente de: Meter os pés pelas mãos...
MM |
| 08/02/10 |
Aparência |
Por exemplo, o critério usado por algumas pessoas na hora da contratação de funcionários – odeio falar colaboradores e um dia desses vocês entenderão – aquela coisa da boa aparência e/ou das roupas que se deve usar nas grandes empresas.
O primeiro ponto aí é o lance preconceituoso, tipo, procuramos pessoas de boa aparência. O que é uma grande bobagem, porque tá cheio de gente feia trabalhando e muito eficiente, diga-se de passagem. O segundo ponto são os “uniformes” disfarçados de terninhos chiques. Ok, ninguém vai querer em sua empresa moças e rapazes vestidos de qualquer jeito, mas sinceramente, uma porção de homens engravatados e outra de mulheres de terninhos dá um ar de velhice que não é brincadeira.
Mas enfim, as coisa são como são por alguma razão e é aí que entra minha opinião que, ainda não sei ao certo se é apenas opinião ou se está mais para observação: As pessoas são julgadas pela aparência e muito poucas pelo conteúdo que oferecem.
Como se você “dentro” de um terninho fosse melhor do que alguém com uma roupa menos social. Tudo bem, as coisas estão mudando, mas o que vejo ainda é uma mesmice que dá medo. Nós homens, para sermos respeitados temos que usar gravatas. Bem, nem todos, eu aboli o uso há mais de 15 anos. Sofri por isso, confesso, mas só no começo.
Para mim, gravata nada mais é do que um paninho cortado em tira que a gente pega e dá uma volta no pescoço e depois um nós muito mais complicado do que o que usamos para amarrar sapatos. Ah, e que interrompe a oxigenação do cérebro em muitos casos.
Acho que gravata é apenas um acessório que deveríamos usar somente quando desse vontade de compor um visual, pois é inegável que ela deixa os homens mais elegantes. Porém sua obrigatoriedade ser vinculada à seriedade, francamente, é “pequeno” demais, é muito superficial, coisa de gente que segue manuais sem sequer pensar sobre eles.
Como percebem, acredito que as pessoas são cada vez mais fúteis, mais vazias e muito, muito limitadas a certos padrões. Como disse acima, somos julgados constantemente pela nossa aparência e poucas pelo que somos de fato.
Para esses seres comuns, nós os “sem gravatas” somos o que? Não confiáveis? Pouco sérios?
Não acredito nisso, muito pelo contrário. Se eu fosse comandante de uma grande corporação, podem ter certeza, o meu critério de escolha dos meus comandados jamais seria baseado na aparência ou na roupa que trajam. O que importa é o que a pessoa tem dentro da cabeça e não em volta do pescoço ou o que cobre seu corpo. Mas é evidente que para tudo isso funcionar é preciso outra coisa de suma importância: O bom senso.
Sim, o velho e bom, tão esquecido nos dias de hoje, bom senso. Óbvio que não vou a uma empresa de bermuda e camiseta, mas também não vejo necessidade de ir de gravata quando o que estou vendendo é o que penso e não o que visto.
Apenas para ilustrar, certa vez me perguntaram ao final de uma palestra que fiz, pergunta esta vinda de um de seus diretores: Você não acha que uma boa aparência impõe respeito?
Ao que respondi: Pois é, o que o Senhor talvez não tenha percebido é que respeito não se impõe, se conquista.
Mas esses “líderes” todos conhecem, não é? São o que chamo de: Líderes de cartão de visita.
Um dia eu falarei sobre isso, prometo. Por hora, priorizemos as pessoas e não sua aparência. Isso é usar bom senso e por que não dizer, inteligência.
MM |
| 28/01/10 |
Epidemia de Marasmo |
O que será que está acontecendo? Ando vendo muita gente reclamando da vida, da mesmice, da falta de motivação, enfim, da falta de vida! Por que?
O que será que as pessoas estão fazendo, ou melhor, fizeram que se enfiaram nessa espiral descendente? Por que tanta insatisfação e pior, por que é que ninguém tá fazendo alguma coisa pra sair disso? Sinceramente eu não vejo ninguém se esforçando pra sair dessa. Por mais que tentem buscar algo, parece que a busca é de fato algo sem sentido. Isso é grave.
E não sou eu que estou cercado de gente assim não, falando com amigos, eles me contam que seus outros amigos estão nessa também. Parece uma epidemia de marasmo. Por uma dessas coincidências da vida, dois amigos ontem me fizeram a mesma pergunta, pessoas que nem se conhecem, mas que estão na mesma encruzilhada: A vida é só isso?
Pois é, gostaria que não fosse, mas às vezes acho que é sim. A vida é só isso aí que você tem, faz e almeja. Bem, almejar é uma palavra complicada, afinal, não é todo mundo que tem foco em algo. Dizem que tem, mas a verdade é outra, buscam algo que nem sabem. Aí a coisa se complica mais ainda.
Não saber o que se busca parece que abre uma porta – para não dizer portão monumental – para que a “vida” entre e faça com você o que ela quiser, apenas isso. O que estou querendo dizer é que seria o mesmo que jogar um barco na correnteza de um rio e deixá-lo à deriva guiado apenas pela frase mais idiota que existe: Deixo a vida me levar.
Deixar a vida te levar é uma porcaria, é ficar à mercê, é não ter controle algum do que te acontece. Se pensarmos profundamente na questão, poderia afirmar que é mais ou menos como estar num veículo desgovernado. Alguém aí conhece uma só pessoa nesse mundo que deseja uma coisa assim? Pois é, ninguém, mas o fato é que as pessoas deixam isso acontecer mais do que se imagina. Consciente ou inconscientemente? Espero que não seja consciente.
Se as pessoas estão se sentindo assim é porque detectaram que algo está errado. Isso é ótimo, é ter consciência de que o rumo precisa ser mudado. Voltamos à estaca zero, mudar o rumo significa ter outro rumo em mente e aí não adianta nada ter consciência de que uma mudança precisa ser feita se não soubermos aonde queremos chegar. Ou já entrou num táxi e disse ao motorista: Vai andando aí, me leva pra onde quiser. Ninguém faz ou fez isso. Temos que saber aonde queremos ir.
Eu insisto, insisto veementemente com clientes, amigos, com todo mundo, é preciso fazer a si mesmo aquela pergunta complicada que já escrevi tantas vezes: O que você realmente quer? De novo, volto a insistir, vá para frente do espelho, olhe bem nos seus olhos e pergunte como se estivesse falando com outra pessoa: O que você realmente quer?
Enquanto não souber responder essa pergunta de bate pronto, não vai sair do lugar, não vai encontrar forças nem motivação para mudar uma só virgulinha da sua vida. Quando a gente sabe o que quer, a mente se abre e os caminhos para se chegar lá aparecem para que possamos seguir em frente. Se não consegue responder a essa pergunta, jamais vai se mover e cairá nesse marasmo que todo mundo está caindo.
É horrível! Passei por isso algumas vezes na vida, diria que desde sempre, pois sou uma pessoa absolutamente inquieta. Já me senti enjaulado, engessado e imobilizado. Repito, é uma sensação de que nada mais existe. Me senti – e às vezes ainda sinto – como se estivesse preso querendo me libertar, mas na hora em que a porta da prisão se abria, não sabia para onde ir.
Acho que é isso que as pessoas sentem, medo da liberdade, medo de escolher e errar, medo de arriscar algo novo, enfim, medo de seguir em frente. Triste, não? Imaginemos quantos talentos temos por aí engessados? Quantas boas idéias que não saem das gavetas, quanto tempo perdemos simplesmente por causa do medo de dar um passo adiante.
Qual o remédio? Ah se eu soubesse venderia a fórmula enlatada e venderia mais que Coca-Cola... Mas sou inquieto, vou descobrir nem que seja a última coisa que eu faça.
MM |
| 20/01/10 |
Sonhar e Realizar |
Vejo por aí tantas pessoas sonhando, outras com os dois pés bem fincados no chão e eu mesmo não tenho uma posição definida sobre isso. Realista que sou, vez ou outra abandono os sonhos para levar em conta apenas o mundo real.
Outras vezes me pego sonhando em mudar a realidade. Aí me veio na mente uma questão e hoje quero escrever sobre isso para tentar aqui descobrir uma resposta satisfatória:
- Os sonhos mudam a realidade ou a realidade é que muda os sonhos?
Pois é, se fosse responder assim de imediato, diria que as duas coisas. Mas temos que levar em conta o que é mais importante e não obter respostas de imediato. Mais ou menos como tentar forçar a barra para satisfazer nossos Egos, ou melhor, cuidar da nossa autoestima.
Assim sendo, é natural que acreditemos que os sonhos é que devem moldar e nortear a realidade e não o contrário. Até porque a realidade nem sempre é tão boa quanto um sonho, que só por termos dispensado um tempo para sonhar, já deve ser considerado algo muito bom. Ninguém sonha com o ruim, sonhamos com o bom.
Não podemos abrir mão de sonhar. Jamais. Por mais que a realidade insista em não colaborar para transformar sonhos em realidade, não podemos desistir nunca. Até porque temos exemplos práticos.
Aposto que você aí do outro lado já deve ter tido um sonho abortado pela realidade. Mas continuo apostando que em algum momento, em algum sonho, você insistiu e venceu a batalha. Ora, por que não pegarmos essa força utilizada nesse instante aí do exemplo e repetimos a fórmula?
Acho que é porque a realidade é sempre mais forte. O que é absurdo de afirmar, pois quem conduz a realidade, a nossa realidade somos nós e não o acaso. Ora, se você sonha com algo, deve correr desesperadamente atrás disso. Notem que eu usei a palavra: Desesperadamente.
Normalmente existem os que sonham por sonhar, querem algo que nem tem capacidade para executar ou realizar. Nem estou falando com esses, afinal de contas, se uma pessoa sonha com alguma coisa que ela sabe não ser capaz de realizar, o sonho nem devia existir.
Falo com aqueles seres conscientes de suas limitações e que justamente por isso sonham com o realizável, sonham com o possível. Admiro as pessoas que correm atrás dos seus sonhos.
Essas pessoas estão de fato no comando de suas vidas e não aceitam outra coisa senão essa, ser forte, ser o condutor da própria existência. Elas sonham e buscam a realização. Pedras no caminho para elas são apenas obstáculos e não limite.
Acho que é por aí. Viver nada mais é do que buscar a realização dos sonhos. Viver mesmo, intensamente. O resto é sobrevivência.
A resposta para a questão continua sendo a mesma, as duas opções estão certas, porém acho que devemos escolher a melhor e não a certa.
E a melhor resposta é: Os sonhos mudam a realidade!
MM
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| 04/12/09 |
Sintonia |
Farei esse mês uma palestra na convenção de uma grande empresa que terá como tema, objetivo e metas para o ano que vem o conceito: Sintonia.
E o que vem a ser Sintonia? Segundo o dicionário, tirando-se o significado relacionado a sintonizar uma rádio, por exemplo, a idéia de sintonia é essa: Reciprocidade, harmonia entre seres, entre coisas ou entre seres e coisas.
E como é que se consegue isso? Tem pra vender na esquina? Depende. Se for algo como sintonizar um ambiente, sim, tem pra vender na esquina. Se for para sintonizar pessoas com coisas, sim também, basta você comprar o que realmente gosta, precisa e que faça você se sentir bem com o objeto.
Sintonizar pessoas com empresas não fácil, mas também não é impossível. Até podemos trabalhar em empresas que nos despertem alguma identificação, mas a verdade é que trabalhamos nas empresas que nos dão emprego. Mais ou menos como dizer que... somos escolhidos e não que escolhemos. Mas pode-se dar sorte, não?
Já a sintonia entre pessoas é bem mais complicado, isso não se cria, não se compra, apenas se detecta. Ninguém, quando conhece outra pessoa, sai correndo para o açougue comprar dois quilos de sintonia moída e sem osso.
Sintonizar pessoas é um processo de descobertas. Descobre-se gostos, afinidades, atitudes, percepções e por aí vai. Tudo isso vai criando uma identificação natural. Não é algo que possa ser imposto.
Se é impossível exigir que duas pessoas tenham a mesma sintonia, como fazer com uma empresa com centenas ou milhares de funcionários? (Me recuso a escrever “colaboradores” porque no meu entender, quem colabora trabalha de graça)
Não venham dizer que se deve criar um ambiente familiar porque aí eu passo mal. Nada é mais “fora de sintonia” do que uma família. Quando vejo alguém dizer que... “nossa empresa é uma grande família”, fico até tremendo, imaginando que se numa pequena família a coisa já desanda, como seriam as coisas numa grande.
Mas tem que haver solução, para tudo nessa vida há uma. O lance é descobrir o tal do “como”. O que fazer já se sabe, o problema está em como fazer. Não dá para simplesmente demitir todo mundo e contratar funcionários com a mesma sintonia. O desafio está justamente nesse ponto, criar um mecanismo para que haja – da melhor maneira possível – essa integração de mentes.
Quando se tem um desafio desse naipe, eu sugiro que se comece de baixo para cima, respeitando obviamente a meta imposta pelo comando da corporação. Recebe-se o objetivo que deve ter sido exaustivamente discutido por este comando e pula-se do topo da pirâmide para a base, começando lá de baixo a detectar a melhor maneira de se conseguir alcançar a meta estabelecida.
Sei que os exemplos devem vir de cima, mas num caso desses não. Até porque ninguém está atrás de exemplos e sim de soluções. Cabe à Diretoria estabelecer as metas e aos funcionários executá-las. Por isso chamo de funcionários mesmo, porque eles devem fazer a engrenagem “funcionar”. E isso é o que eu respeito. Mudar palavrinhas é pura perda de tempo e nesse caso, de foco.
Eu caminharia pelo envolvimento e pelo comprometimento. Mesmo sabendo que sintonizar várias mentes é intangível, acho que poderíamos chegar bem perto disso se houver uma conscientização de que todo mundo terá que deixar seus egos de lado para que a empresa atinja o nível de excelência que busca.
Deixar egos de lado é um dos processos que mais exige dos seres humanos. Todo mundo, o tempo todo, busca seus interesses em primeiro lugar. Ultrapassar essa barreira não é nada simples, mas bem possível e, uma vez que se consiga isso, ao menos dentro da empresa, tenho certeza de que o todo sairá beneficiado.
MM |
| 11/11/09 |
Comunicação |
O mundo trabalhou e ainda trabalha para aprimorar a comunicação entre pessoas, porém, a impressão que dá é que ninguém usa os recursos.
Creio que tenha sido sempre assim, mas hoje constato que quanto mais ferramentas de comunicação se têm à disposição, menos as pessoas se comunicam. Será que era assim nos tempos dos sinais de fumaça? Bem provável, porque quem mais se utilizava desse meio de comunicação eram os índios e eles evoluíram bem pouco talvez ainda coloquem o ouvido no chão para saber se alguém está chegando.
Mas hoje em dia é inconcebível aceitar que, com tantos meios disponíveis, as pessoas ainda pouco se utilizem deles.
Temos e-mails, memorandos, celular, telefones fixos, carta (sim, os correios ainda existem) e nem assim as pessoas conversam entre si. Sem falar que teoricamente numa empresa se fala a mesma língua e pode-se simplesmente sair da sua cadeira e caminhar até a sala ao lado para se comunicar com a outra pessoa, mas pouca gente faz isso.
A questão a ser respondida é: Por que?
Se eu soubesse a resposta, a venderia e ficaria bilionário, mas não sei. O que sei é que a falta de comunicação dentro das empresas é tanta que tenho certeza absoluta que isso ultrapassa as paredes da própria empresa e caminha em direção aos clientes e fornecedores.
Será que ninguém se dá conta disso? Quanto será que as empresas perdem ou podem perder em apenas um dia de funcionamento por causa dessa falta de comunicação? Difícil mensurar, afinal, se fizessem essa conta, cabeças rolariam, sem dúvida alguma.
Mas há um paradoxo nisso tudo: Pesquisas mostram que as pessoas perdem tempo demais lendo e respondendo e-mails logo pela manhã. Que tipo de e-mails? Coisas inúteis, aposto.
Mandei um e-mail para uma empresa dia desses onde explicava coisas importantes e obtive uma resposta menos de dois minutos após tê-lo enviado. Era um e-mail longo e nem com leitura dinâmica um ser humano poderia tê-lo lido e respondido em menos de dois minutos.
Nele eu explicava os motivos para não fazer uma reunião. Pois então, a pessoa “leu” e respondeu prontamente, porém, vejam que eu coloquei a palavra leu entre aspas. Dez dias depois, esse mesmo sujeito me liga cobrando minha presença na tal reunião que eu havia cancelado e explicado os motivos naquele longo e-mail.
Em outras palavras, ele não havia lido. Além disso, nesse meio tempo eu havia feito uma reunião com outra pessoa na mesma empresa e era esse o motivo que eu não compareceria na primeira reunião agendada. Foi tudo explicado e... supostamente entendido.
Na verdade o que aconteceu foi: Ele não leu o e-mail, os dois não se comunicaram e mais, tentaram me culpar por não ter comparecido a tal reunião. Em suma, a falta de comunicação e também a falta de compreensão de texto ao ler o meu e-mail foi tamanha que um impasse foi criado por causa de absolutamente nada!
Mas de uma coisa tenho certeza: Se tivesse enviado um e-mail com piadas ou mulheres peladas, ele teria sido lido, entendido, completamente compreendido e óbvio, encaminhado para outras pessoas da empresa.
MM |
| 04/11/09 |
Invisibilidade no Trabalho |
Dia desses conversava com uma cliente/amiga que está preocupada com os funcionários. Ela é diretora de RH de uma grande multinacional e sua preocupação é daquele tipo que... “serve pra muita gente”.
Dizia-me ela que as pessoas estão cada vez mais se tornando robôs: Criatividade zero.
É o que chamo de invisibilidade. Por mais esquisito que possa parecer, nas andanças pelo mundo empresarial, observo que os “invisíveis” estão se multiplicando.
A invisibilidade nada mais é do que: “Me deixa quieto aqui no meu canto fazendo meu trabalhinho burocrático”! Entenda-se por trabalho burocrático nada além do que “fui contratado para fazer”.
Nos tempos de crise, ficar invisível pode ser uma grande jogada: Ninguém me percebe, portanto, não perderei meu emprego.
Mas para tudo nessa vida, existe o outro lado da moeda que nesse caso é: Se ninguém te percebe, para que você serve?
Nessa conversa com minha cliente, chegamos à conclusão de que as pessoas trabalham com medo. Medo de serem percebidas, medo de perderem o emprego, medo de criar, medo de ousar, enfim, toda e qualquer decisão, escolha ou seja lá o que for, baseada em medo, a chance de que tudo se perca é imensa. O medo é o pior conselheiro desse mundo.
Acredito que estamos no meio de uma grande mudança. Pode até ser ingenuidade de minha parte, mas de fato acredito que as empresas estão verdadeiramente preocupadas em mudar e quebrar certos paradigmas, certas crenças.
Uma delas é que os funcionários com maiores chances de crescerem dentro de uma companhia, são aqueles que querem sair da zona de conforto e ousar, aprender e, mais do que isso, compreender o “todo” e não apenas o que se passa em sua sala ou departamento.
Há pouco tempo atrás, cerca de uns dois anos, durante uma palestra em uma grande empresa, cheguei a afirmar que toda e qualquer diretoria ou comando de uma companhia não queria por perto seres pensantes. É verdade, cá entre nós e que ninguém nos leia, que ainda acredito nisso.
Mas também é verdade que ando percebendo mudanças e isso é uma boa notícia para quem quer ousar e se destacar no cada vez mais competitivo mercado de trabalho.
Como eu disse à minha amiga, a invisibilidade pode proteger o invisível por um certo tempo, mas como nos filmes de ficção que tratam do tema, toda invisibilidade tem prazo de validade. Mais cedo ou mais tarde, tudo vai literalmente aparecer.
Além disso, será que essas pessoas não têm receio que um superior faça uma pergunta do tipo...
- Onde é que você estava esse tempo todo quando mais precisamos de você?
MM
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